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quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Mestre Maçom perante a Sociedade






A Maçonaria Regular é uma instituição destinada ao aperfeiçoamento moral, espiritual e intelectual dos seus elementos e também para que estes, através do seu exemplo e da prática dos seus princípios, por sua vez propiciem, influenciem, a melhoria, pouco a pouco, indivíduo a indivíduo, da sociedade em que a Instituição e os seus elementos se inserem.

A Maçonaria Regular não existe divorciada, separada, afastada, da sociedade em que se insere. Pelo contrário, é uma das instituições que unem, solidificam e contribuem para o progresso dessa mesma sociedade - à sua maneira, é certo, pelo seu específico jeito, obviamente; mas a sua riqueza está precisamente na sua diferença, na sua especificidade: para ser igual às outras, bastam as outras...

O Mestre Maçom que aprendeu o que é a Maçonaria Regular tem, assim, bem presente que, se é crucial conhecer-se a si mesmo, como meio de se melhorar, não é menos indispensável  reconhecer -se como animal social, isto é, que o que é, o que melhora, o que faz, em cada momento, se repercute no meio em que se insere e o influencia. 

O Mestre Maçom deve ter, consequentemente, a vívida noção de que todo o seu esforço de melhoria, toda a sua persistência no modelar de si próprio, só adquire pleno significado, integral valia, no confronto com todos com quem interage. Um eremita pode atingir o cúmulo da perfeição, ser o vero protótipo de um Santo, estar com dois pés e meio corpo no Nirvana - se for eremita e ninguém der por ele, pela sua perfeição, santidade e êxtase, em nada influencia, a ninguém mais aproveita, todo o seu esforço e trabalho e persistência apenas se refletem na ínfima partícula da volátil poeira do leve sopro da miúda insignificância que ele, como cada um de nós, na realidade, é, ao nível da imensidão cósmica.

Qualquer significado dos nossos atos, qualquer diferença que possamos fazer, qualquer valia que a nossa existência e a forma como a vivemos tenha só existem verdadeiramente no confronto com os outros.

Assim, no confronto do Mestre Maçom com a Sociedade, entendo que a palavra-chave é "coerência".

Coerência entre a sua atuação, em todos os momentos, em todas circunstâncias, em todos os ambientes, entre os princípios e os atos. Coerência entre os seus atos em Loja e fora de Loja. Entre as suas condutas perante Irmãos e perante profanos.

Coerência enquanto maçom e enquanto cidadão, quer a sua condição de maçom seja publicamente revelada ou se mantenha por si prudentemente reservada. Porque o que importa verdadeiramente é a contribuição que os maçons dão para a melhoria da Sociedade, não os créditos que estes porventura recebam por isso. Os maçons cumprem - sempre, em todo o lado e perante qualquer pessoa - os seus deveres de cidadãos e de maçons, aplicam os seus princípios de homens livres e de bons costumes em público como em privado, com ou sem benefício próprio, tão só porque moldaram a sua natureza para assim proceder, sabem que essa é a forma devida de ser e de agir, reconhecem que só assim são reconhecidos como tal pelos seus Irmãos.

O Mestre  Maçom é, assim, persistente, dá o exemplo, está disponível e é coerente. Consigo próprio, com seus Irmãos, com sua Oficina, com todos. Tudo isso em todas essas situações. Ou não é realmente Mestre ou Maçom.


Irm. Rui Bandeira 



Fonte: Blog Irmão A Partir Pedra.


domingo, 28 de abril de 2013

Jornal Tribuna Maçônica Nº 74





Leia a página 4 do Jornal Tribuna Maçônica

Ser Mestre Maçom é ...






... mais do que uma chegada, uma nova partida, não um objetivo atingido mas um projeto sempre em execução. A Exaltação à Mestria possibilita que o Obreiro atento o entenda desde logo.

Simplesmente, enquanto até aí o maçom teve guias e apontadores de caminhos, quando a Loja concede a um maçom a sua “carta” de Mestre, este sente-se um pouco como aquele que, após as suas lições e o seu exame de condutor, recebe a sua carta de condução: está habilitado a conduzir (a conduzir-se...) mas... inevitavelmente que sente alguma ansiedade por estar por sua conta e risco, sem rede que ampare suas quedas em possíveis erros.

Assim, apesar de serem as mais visíveis manifestações da mudança de estado conferida pela Exaltação à Mestria, não são o seu direito à palavra e o seu direito ao voto que são importantes. Importante é a sua total capacidade de exercer o seu verdadeiro e pleno direito ao seu caminho. O direito a trilhar o seu caminho por si, só, se assim escolher ou assim tiver que ser, ou acompanhado por quem quiser que o acompanhe e que o queira acompanhar, se assim for de vontade dos interessados, pelo tempo que quiser, por onde quiser, como quiser, para o que quiser.

O direito ao seu caminho enquanto cidadão já o tinha desde que atingiu a idade adulta e como adulto foi pela lei do Estado considerado. O direito ao seu caminho enquanto maçom, ou seja, o caminho do aperfeiçoamento, da busca da excelência, da proximidade tão próxima quanto humanamente possível for, da Perfeição, a ser trilhado por si só, como quiser, quando quiser, pela forma que quiser, adquire-o o Maçom com a sua Exaltação à Mestria, após o tempo de preparação que necessário foi para que não seja em vão que esse direito lhe seja conferido, para que efetivamente o exerça. Porque é um direito que o Mestre Maçom deve exercer como um dever, com a diligência do cumprimento de uma obrigação.

Ser Mestre Maçom é, assim, essencialmente cumprir o dever de exercer o seu direito de escolher e percorrer o seu caminho para a excelência.

Para quem andou longo tempo a ser guiado, não é fácil ver-se, de um momento para o outro, responsável pelo seu caminho, sem ajuda, sem orientação, sem rede. Responsável, porque livre, porque pronto, porque assim é o destino do homem que busca o brilho da Luz, da sua Luz. Mas, após uma pausa para ganhar orientação e pesar as suas escolhas, todos os Mestres Maçons seguem o seu caminho – porque para isso foram preparados, por isso são Maçons, com isso são verdadeiramente Mestres.

O caminho que cada Mestre Maçom decide escolher tem em conta a primacial pergunta que faz a si mesmo: Que fazer, como fazer, para ser melhor? A essa pergunta cada Mestre Maçom vai obtendo a sua resposta, pessoal, íntima, tão diferente das respostas de outros quanto diferente dos demais ele é. E é na execução da resposta que vai obtendo, no traçar do trabalho que essa resposta propõe, que o Mestre Maçom constrói, porque construtor é, o seu percurso. E a cada estação conquistada, novamente a mesma pergunta de sempre se lhe coloca: que fazer, como fazer agora para ser de novo melhor? E nova resposta e novo percurso e nova paragem, com nova e sempre a mesma pergunta, com outra resposta e outro percurso, incessantemente se apresentam.

Mas o Mestre Maçom não sabe apenas buscar a resposta à sua pergunta. Sabe também que, embora cada um trilhe o seu solitário caminho, os caminhos dos maçons têm muito de comum e sobretudo são postos por eles muito em comum.

O Mestre Maçom sabe assim que o que adquire, o que ganha, o que aprende, o que consegue, não é para ser avaramente fruído apenas por si, antes é para ser posto em comum com a Loja, pois também é do comum da Loja que recolhe contributos, ajudas, meios, ferramentas, para melhor e mais frutuosamente obter respostas às suas perguntas.

Ser Mestre Maçom é, assim, sempre, dar o seu contributo à Loja, seja no que a Loja lhe pede e ele está em condições de dar, seja no que ele próprio considera poder tomar a iniciativa de proporcionar à Loja. Porque ser Mestre Maçom é também saber que, quanto mais der, mais receberá, que a sua parte contribui para o todo mas também aumenta em função do aumento desse todo e que, afinal, não é vão o dito de que “dar é receber”.

Ser Mestre Maçom é portanto saber que o seu percurso pessoal será mais bem e mais facilmente percorrido se o for com a Loja, pela Loja, a bem da Loja. Porque o bem da Loja se traduz em acrescido ganho para o maçom, que assim consegue realizar o paradoxo de ser um individualista gregário, porque integra e contribui para um grupo que é gregário porque preza e impulsiona a individualidade dos que o compõem.

Ser Mestre Maçom é descobrir que a melhor forma de aprender é ensinar e assim escrupulosamente executar o egoísmo de ensinar os mais novos, os que ainda estão a trilhar caminhos que já trilhou, dando-lhes o valor das suas lições e assim ganhando o valor acrescido do que aprende ensinando – e sempre o homem atento aprende mais um pouco de cada vez que ensina.

Ser Mestre Maçom é comparecer e trabalhar na Loja, mas sobretudo trabalhar muito mais fora da Loja. Porque o que se faz em Loja não passa de “serviços mínimos” que apenas permitem a sobrevivência da Loja e o nível mínimo de subsistência do maçom. O trabalho em Loja é apenas um princípio, uma partícula, uma gota, uma pequena parte do trabalho que o Mestre Maçom deve executar em cada um dos momentos da sua existência.

Ser Mestre Maçom é portanto mais do que aguardar que algo lhe seja pedido, antes tomar a iniciativa de fazer algo – não para ser reconhecido pela Loja, mas essencialmente por si, que é o que verdadeiramente interessa.

Ser Mestre Maçom não é necessariamente fazer grandes coisas, excelsos trabalhos, admiráveis construções. Mais válido e produtivo é o Mestre Maçom que dedica apenas cinco minutos do seu dia a fazer algo muito simples em prol da sua Loja, da Maçonaria, afinal de si próprio, desde que o faça efetivamente todos os dias, do que aqueloutro que uma vez na vida faz algo estentório, notado, em grande estilo, mas sem continuidade. Porque a vida não se esgota num momento, nem numa hora, nem num dia. A vida dura toda a vida e é para ser vivida todos os dias de toda a vida.

Ser Mestre Maçom não é necessariamente ser brilhante, mas é imprescindivelmente ser persistente E o Mestre Maçom que persistentemente realize dia a dia, pouco a pouco, o seu trabalho, pode porventura passar despercebido, não receber méritos nem medalhas nem honrarias, mas tem seguramente o maior mérito, a maior honra, a melhor medalha, o maior reconhecimento a que deve aspirar: o de ele próprio reconhecer que fez sempre o seu trabalho, deu o seu melhor, persistiu na sua tarefa e, de cada vez que olhou para si próprio, viu-se um pouco, um poucochinho que seja, melhor do que se vira da vez anterior. E assim sabe que, pouco a pouco, no íntimo do seu íntimo, sem necessidade que outros o honrem por tal, ganhou um pouco mais de brilho, está um passo mais próximo do seu objetivo, continua frutuosamente percorrendo o seu caminho para o que sabe ser inatingível e, no entanto, persiste em procurar estar tão próximo de atingir quanto possível: a Perfeição!

Em suma, ser Mestre Maçom define-se com o auxílio de uma frase que li há algum tempo e que foi dita por alguém que creio até que nem sequer foi maçom, Manuel António Pina, jornalista, escritor, poeta, laureado com o Prémio Camões em 2011, falecido em 19 de outubro de 2012: o Mestre Maçom é aquele que aprendeu e que pratica que o mínimo que nos é exigível é o máximo que podemos fazer.



Irm. Rui Bandeira




Fonte: Blog Irmão A partir Pedra.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Luz







Em Maçonaria, como em vários ramos da espiritualidade, incluindo crenças religiosas, é utilizado ou referido o conceito de "Luz", como algo a procurar, objetivo a atingir, mediante o trabalho do iniciado, do crente. Mas o que é, afinal, a Luz? Que simboliza? Cada um tirará as suas conclusões.  A minha resulta da consideração, designadamente, dos elementos que seguidamente exponho. 

Segundo a Infopédia, Enciclopédia e Dicionário Porto Editora, "Luz" é um "fluxo radiante capaz de estimular a retina para produzir a sensação visual", "claridade emitida ou refletida pelos corpos celestes", "clarão produzido por uma substância em ignição". Em sentido figurado, segundo a mesma fonte, é "verdade, evidência, certeza", "perceção, intuição", "guia, orientação", "iluminação espiritual, fé".

O Génesis, primeiro Livro da Bíblia, inicia-se assim:

No princípio criou Deus os céus e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. 
Gênesis 1:1-5

No entanto, um pouco adiante, consta:

E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos.
E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi.
E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas.
E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra,
E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom.
E foi a tarde e a manhã, o dia quarto. 
Gênesis 1:14-19

Portanto, só na quarta jornada da Criação o Grande Arquiteto do Universo criou o Sol e a Lua, "para haver separação entre o dia e a noite", para "iluminar a terra e para governar o dia e a noite e para fazer a separação entre a luz e as trevas". Então que Luz criou Ele logo na primeira jornada, que separação entre a luz e as trevas foi essa bem antes de criar os astros que, na quarta jornada, de novo se refere destinarem-se à "separação da luz e das trevas? Que "Dia" e que "Noite" (note-se as maiúsculas...) são esses referidos na descrição da primeira jornada se só na quarta jornada são criados os astros destinados a governar o dia e a noite?

Ou há grossa contradição logo na primeira página do Volume da Lei Sagrada judaico-cristão, ou então, a Luz , o Dia e a Noite referidos na primeira jornada não são os mesmos referenciados na quarta etapa da Criação...

Entendo que ajudará a esclarecer-nos o início do Evangelho segundo São João (não se estranhe a referência: a Maçonaria é originariamente teísta cristã; sobre a camada original, passou a incluir também a noção deísta, mas esta não anula aquela, tal como aquela não impede esta...):

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio junto de Deus.
3 Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.
4 Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.
5 A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
6 Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João.
7 Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.
8 Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
9 [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.

Analisando os contributos dados por estes dois textos, chama a atenção, no texto do Génesis, a distinção aí feita entre "Deus" e o "Espírito de Deus", aquele realizando, executando a dinâmica da Criação, este apenas movendo-se "sobre a face das águas", mas sem atividade dinâmica.

Este conceito encontra-se também na Filosofia Pitagórica, designadamente nos conceitos de UM (princípio criador estático, força criadora em potência) e o DOIS (a ação do Criador, a concretização da potência da força criadora).

Mas, regressando ao tema, na primeira jornada o Criador fez a LUZ, a separação entre a luz e as trevas, àquela chamando Dia e a estas Noite.

Esta LUZ não é, seguramente a luz física, pois essa só foi criada na quarta jornada, com a criação do Sol e da Lua e das estrelas, "para haver separação entre o dia e a noite" e "para iluminar a terra". A LUZ da primeira jornada tem um significado metafórico.

Olhando para o início do Evangelho segundo São João, verificamos que o Verbo estava junto de Deus e era Deus; nele havia a vida e a vida era a luz dos homens; era a verdadeira luz...

A LUZ metafórica referida na primeira jornada da Criação, explicitada no início do Evangelho segundo São João, é, no meu entendimento, a Consciência de Si do Criador, que proporciona que a Potência Criadora se realize. O Espírito de Deus movia-se no Caos Primordial, com a potência de tudo criar. Mas só a consciência de Si, da Vida que É, possibilitou a concretização da potência criadora. Essa consciência foi a LUZ que se separou das Trevas da inconsciência da Existência, da Vida e da fabulosa Potência Criadora. Separou-se assim o Dia (da consciência, da aquisição da visão sobre as capacidades e possibilidades) da Noite (em que o Espírito Criador, embora dotado da Potência Criadora não tinha consciência de tal e portanto apenas vogava, inerte e sem concretizar a sua Força). Havia o Verbo, o pensamento concretizável na palavra e, assim, na ação, que estava junto de Deus e era Deus, mas ainda inerte, que ficou ativo quando Aquele que É tomou inteira consciência de Si próprio e do seu Poder e da sua Força.

Portanto, para mim, a LUZ simboliza mais que o Conhecimento, a Sabedoria ou a Fé. Simboliza a Consciência do Criador e da Vida, Consciência essa que cataliza, ativa, a potência criadora que tudo criou e tudo regula.

Sendo assim, em que consiste a busca humana pela LUZ? Na criação de condições, na sublimação da nossa materialidade, de forma a que se possa ver a LUZ, adquirir a Consciência do Criador e da Vida, assim finalmente compreendendo o significado e objetivo da Criação, da Vida e do ínfimo, mas indispensável, papel de cada um nelas. É que tal Consciência é indispensável para ativar a necessária dinâmica para o que segue... Mas isso é já outro tema, crença individual que não tem cabimento neste espaço - que é de divulgação, não de proselitismo.

Esta a minha interpretação do significado simbólico da LUZ. Não a divulgo aqui para convencer ninguém do que quer que seja. Cada um analisará o que exprimo, tomará do meu pensamento o que lhe convenha, recusará o que não lhe agrade, complementará com outros indícios e raciocínios e teses e chegará à conclusão que, para si, será a certa. Se há algo que na Maçonaria é consensual é que há muitos caminhos para a LUZ...

Irm. Rui Bandeira 




Fonte: Blog Irmão A Partir Pedra.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Homenagem da Loja "Rei Davi" ao Jubileu de Pérola da Oficina no GOB




Placa Maçônica Alusiva a Histórica Data, entregue pela Loja "Rei Davi" em uma belíssima homenagem a Loja "DUQUE DE CAXIAS" IX





Irmão José MARIANO entregando a homenagem ao Venerável AMARILDO Araújo durante a Sessão Solene





Deputado Federal Irmão José Maria MARTINS, Venerável Mestre "CHICO", Irmão José MARIANO  e o nosso Venerável Mestre AMARILDO Araújo celebrando a importante data



Fotos: Irmão BRUNO Gemaque.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Entrevista com um Maçom






Apresentador - Boa noite, senhoras e senhores. Estamos de volta com “Conheça o Desconhecido”, o programa líder da TV brasileira que nos leva a navegar por “mares nunca d’antes navegados”. Neste bloco, vamos conversar com o Sr. Paul Manson, membro da ordem dos Maçom e que nos vai comentar sobre esta secreta e misteriosa instituição. Recebamó-lo com todo nosso carinho...

Público – Aplausos.

Apresentador – Paul Manson, comerciante aposentado, professor de geologia na Unilock e Maçom há mais de vinte anos, seja muito bem-vindo. É um prazer recebê-lo em nossos estúdios e já começo com a maior curiosidade de todas: Afinal, o que é a Maçonaria?

Paul -Boa noite, Gabriel. Agradeço muito o convite, é verdadeiramente uma honra estar aqui nesta noite falando um pouco da nossa Ordem. Bem, vamos à pergunta: Começamos com talvez a mais difícil de todas uma vez que não existe uma resposta simples ou simplista para “o que é a Maçonaria”. Por definição, ela é uma Ordem filosófica e iniciática, de natureza reservada, totalmente baseada em alegorias e símbolos, com o propósito único de aperfeiçoar o ser humano para que este desempenhe um papel relevante na construção de uma sociedade mais justa e perfeita.

Apresentador – Nossa, é uma bonita explanação, mas que nos diz muito pouco. Na verdade, queremos saber, entender, o que fazem fechado em seus templos secretos... O que passa na verdade aí?

Paul – Você já passou em frente a algum templo maçônico?

Apresentador – Sim, várias vezes. 

Paul (sorrindo) – Então, não são secretos, concorda? Gostaria de aproveitar este momento para desmistificar isso. Não temos segredos, temos sim uma tradição em trabalhar de forma discreta, com rituais próprios que servem para congregar os membros e criar uma atmosfera salutar que permitam ao homem se desenvolver filosoficamente e, por que não dizer, espiritualmente. Afinal...

Apresentador (interrompendo) – Ok, vamos nos focar em duas coisas aí. A primeira, “que  permita ao homem". Então, a Maçonaria é machista, certo? Só homem é considerado digno de pertencer a ela. E segunda, o desenvolvimento espiritual. É a Maçonaria uma religião, ou não?

Paul – Bem, Gabriel, vamos tentar entender o processo... Estamos falando de uma ordem filosófica tradicional, e reforço a palavra “tradição”. Suas origens remontam à idade média, nas antigas guildas ou associações de pedreiros que construíam as grandes catedrais por toda a Europa. Como em praticamente todas as profissões na época, a participação da mulher era praticamente nula. Mesmo quando no Século XVII e XVIII ela deixou de ser uma agremiação de construtores e passou a aceitar pessoas com idéias iluministas, muito em voga então – num processo que chamamos de “passar de operativa à especulativa”, ainda assim a participação feminina na sociedade era muito pequena. Ao consolidar as bases da instituição, uma das tradições mantidas foi de que seus membros deveriam ser “homens livres e de bons costumes”, quer dizer, varões que não poderiam ser servos. Mas não é verdade que “só o homem participa” da maçonaria. A mulher, enquanto mãe, esposa ou filha de maçom, tem importante papel dentro da ordem, e como ser humano e como integrante atuante da sociedade, tem o reconhecimento devido, independente de gênero. Apenas nos reservamos à tradição do “homem livre e de bons costumes” para não iniciar a mulher na Ordem. Mas existem Lojas Maçônicas mistas ou só de mulheres, funcionando nas mesmas bases que as que chamamos “regulares”. 

Apresentador – Espera um pouco... Isto está se tornando interessante. Existe Maçonaria “regular” e maçonaria “irregular”? Como é isso?

Paul – Permita esclarecer alguns conceitos básicos para entender essa questão: Todo maçom é indicado por outro maçom, um “Irmão”, para pertencer a uma Loja Maçônica. Este processo segue um fluxo, que também é tradicional. Um conjunto de Lojas federadas forma uma Potência ou Obediência maçônica, que são ditas “regulares” por que obtém o reconhecimento nacional e internacional de outras potencias. A Maçonaria não tem um governo único, uma “ONU” ou um vaticano que garanta que a pureza de sua tradição e sua cultura sejam mantidas. Assim que esta espécie de “rede” de potencias se reconhecendo garantem que os princípios básicos da ordem sejam mantidos. No Brasil, por exemplo, temos três grandes obediências ou potencias reconhecida entre si e internacionalmente. Acontece que existem outras Lojas maçônicas ou potencias maçônicas que não obtém este reconhecimento, por diversos motivos, assim que convivemos com a chamada Maçonaria irregular, ou não reconhecida. 

Apresentador – Bem, voltemos ao tema de religião. Afinal de contas, qual a religião maçônica?

Paul – Somos uma sociedade que se autoproclama de “livres pensadores”. Acreditamos sinceramente que todo o progresso humano passa pelo estudo, pelo aperfeiçoamento, pela busca da verdade. Sendo assim, não temos nem somos uma “religião”. Como poderíamos impor algum dogma ou crença? Exigimos apenas que o candidato professe alguma fé, que creia sinceramente que há um Ser criador e que há uma contínua evolução espiritual. O nome que ele der a Este ser – Deus, Buda, Jeová, Allah, Krishna, etc – e a maneira com que escolha conectar-se a Ele (a religião) é de seu livre arbítrio. Apenas, deve crer nesse Ente Superior e respeitar a crença dos demais. Por isso que em Loja, proibimos qualquer discussão política ou religiosa, como uma forma de garantir a liberdade de escolha do outro. Jamais vamos impor um deus ou uma religião. Seria ilógico, uma contradição.

Apresentador – Mas todos sabemos que o Maçom tem alguns segredos, uma ligação com “bodes”, com esqueletos, etc. Não seria isso uma forma de “seita satânica”?

Paul – Gabriel, somos uma sociedade filosófica. Como expliquei antes, procuramos crescer individualmente buscando a “verdade” interior. E temos como um dos princípios básicos o respeito à autoridade, as leis e principalmente, o respeito religioso. No início de sua estruturação como sociedade filosófica, ou quando se transformou de operativa em especulativa, ela agregou correntes de pensamentos que na época assustaram bastante a hegemonia da Igreja sobre a fé das pessoas. Recordamos que nos Séculos XVII a XIX o catolicismo era dominante na Europa e julgava-se o “guardião da verdade” e da fé das pessoas. Recém despertávamos de um imenso período de trevas caracterizado pela inquisição. Qual a melhor maneira de neutralizar a nova sociedade e suas idéias iluministas? Qual a melhor maneira de garantir o status quo reinante? A “demonização” da Ordem, ou aproveitar-se da boa fé das pessoas para atribuir ao desconhecido poderes sobrenaturais, satânicos, demoníacos. A superstição, alguns autores mal intencionados e algumas ações da Igreja contribuíram para criar esse mito. E nós mesmos contribuímos muito para manter e inclusive, aumentá-lo, ao aceitar passivamente as acusações e recolhermo-nos ao silencio dos templos. A verdade é que tais acusações ou não nos importou no seu devido momento, ou por uma estranha “vaidade” coletiva em nos reconhecer “diferentes”, aceitamos que o mito se consolidara. 

Apresentador – Mas um dos maiores escritores da Maçonaria, não recordo seu nome, reconheceu que Lúcifer era o deus maior, não?

Paul – Você deve estar falando de Albert Pike, que foi um destacado Maçom norte-americano que escreveu uma obra fantástica, denominada Moral e Dogmas. “fantástica” por que está eivada de erros e acertos. Como eu disse anteriormente, a maçonaria não tem um “governo” central, um “vaticano” responsável pela manutenção centralizada de seus princípios, não temos um “Grão Mestre Geral”, um Papa. Assim que toda sua estrutura está baseada nos usos e costumes dos tempos, o que chamamos de Landmarks, e em constituições das diversas potencias e obediências que buscam uma coerência entre si. Ao não possuir este poder central, este órgão regulador único, ela está sujeita a inúmeras interpretações e contribuições das mais diversas. Pike foi um importante autor maçom no seu tempo, e ajudou muito a estabelecer de uma maneira geral esta necessária coerência, mas cometeu erros. O próprio titulo de seu livro, “Moral e Dogmas”, não está alinhado com a proposta da Maçonaria, que é a de não impor dogmas ou verdades. A questão de Lúcifer deve ser entendida com a origem da palavra Lúcifer, ou Vênus, e estrela da manha. Tanto dentro do esoterismo egípcio, mais tarde aperfeiçoado pelos gregos, como pelas primeiras escolas filosóficas do período moderno, a estrela da manha, Vênus ou Lúcifer, era estudado como “o portador da luz”. E foi nesse sentido que a palavra Lúcifer foi associada à maçonaria por Pike. Absolutamente nada a ver com o “Anjo Caído”, o diabo criado pela tradição judaico-cristã. E finalizando, Gabriel, como expliquei anteriormente, em maçonaria não temos um deus. Temos a crença num Criador.

Apresentador – Sei que há coisas que você não pode nos falar. Mas existe sim um Deus, que o Maçom reverencia como GADU.

Paul – Gabriel, não existe absolutamente nada em Maçonaria que eu não possa te falar. Como disse antes, não temos segredos. Somos discretos, nunca “secretos”. Teu cartão de crédito tem um número e um código de segurança impressos nele. Comparativamente, o número do cartão seriam nossas atividades, nossas sessões, nossos rituais, e o número de segurança seriam nossos sinais de reconhecimento entre Maçons. Discretos. Mas estão aí, impressos, ao alcance. Dito isso, te esclareço que GADU são as iniciais de Grande Arquiteto do Universo. Uma sociedade com origem de construtores, suportada por alegorias e símbolos que lembram esta origem, naturalmente escolheria a figura de um “construtor” ou “arquiteto” para simbolizar o criador. É um nome genérico para agregar todas as crenças nesse Ser criador. Quando eu, budista, nomino a Buda como Grande Arquiteto, estou fazendo o mesmo que você, cristão, quando nomina a Jeová como “O” Grande Arquiteto. Tanto meu Deus, o Buda, quanto o teu, Jeová, são o Grande Arquiteto do Universo. O Criador, o que fez.

Apresentador – OK, e quanto aos esqueletos, ao reverenciar o bode, aos sacrifícios?

Paul – Engraçado, sempre aparece o tal de “bode” quando falamos de Maçons... O bode é um erro histórico, por uma incompreensível vaidade, se manteve. Existem diversas teorias sobre a aparição do “bode” na Maçonaria, nada comprovado, nada concreto. Alguns atribuem à figura bíblica do “bode expiatório” usado pelo povo judeu para ajudar a suportar a carga do mundo. Outros atribuem aos templários, que supostamente foram acusados de adorar a figura de um deus babilônico que tinha feições de bode (Baphomet). E muitas outras histórias. Infelizmente, alguns Maçons por vaidade ou por pura provocação mantiveram a lenda, a ponto de imprimir decalques e folhetos com a figura de um bode representando a Maçonaria. Alguns inclusive brincam com a expressão “bode” ao referir-se a outro maçom. Não existe, oficialmente, nenhuma referencia ao animal “bode” dentro de uma reunião – ou sessão –maçônica. Quanto a esqueletos, caveiras, sacrifícios de sangue, etc, são lendas absurdas, semeadas pelos detratadores da ordem no sentido de reforçar a imagem de “demonização”. Para ser bem sincero, há sim uma representação da transitoriedade da vida, um crânio humano em gesso ou outro material, que lembra ao Maçom que a vida é passageira, que a morte é uma realidade e que deve pautar seus pensamentos para a construção do que realmente importa, seu valor espiritual. Mas ele não é usado em nenhum ritual ou coisa parecida, ele fica ali, paradinho em um determinado local do templo, justamente para lembrar constantemente isso. Que na vida tudo é transitório, tudo é passageiro.

Apresentador – Bem, e quanto ao dever de todo Maçom ajudar a outro Maçom em dificuldade? De favorecer em tudo e contra todos? Como é essa história de que todo Maçom fica rico de uma hora para outra?

Paul (rindo muito) – Meu amigo Gabriel, vou te dizer uma coisa: Se todo Maçom é rico, alguém por aí ficou com minha parte (Risos gerais). Brincadeiras à parte, ninguém ganha dinheiro com Maçonaria, posso te garantir. Ao contrario, gastamos muito com livros, com benemerência, com custos de construção de templos, etc. Existe sim uma explicação natural e plausível para a suposta coincidência entre “entrar para a Maçonaria” e “melhorar de vida”. Via de regra, quando um Maçom indica para sua Loja uma pessoa da sociedade, ele busca características nessa pessoa que combinam com suas próprias características e valores: Uma pessoa estável, bom pai, bom marido, bom profissional, respeitada na sociedade. Geralmente, o indicado está numa fase em sua vida que sua carreira profissional está amadurecendo, encontra-se numa faixa estaria que está chegando ao ápice da escalada produtiva. Então, é comum associar o desenvolvimento natural de sua condição financeira com o fato de ter “entrado na Maçonaria”. Dois fatos absolutamente sem relação de causa-efeito. 

Apresentador - Mas todo Maçom se ajuda, não negue...

Paul – Todo o Maçom tem o dever moral de prestar socorro a outro ser humano, seja ou não Maçom, desde que isso não cause nenhum conflito moral ou não prejudique sua própria sobrevivência. É um principio humanitário, humanista, e não Maçom. Claro que por afinidade, por professar valores parecidos, por conhecimento, é natural que um Maçom busque ajuda entre seus Irmãos, mas isso não é garantia de que será ajudado. Historicamente, a Maçonaria Operativa guardava parte dos ganhos de seus membros para garantir à viúva e filhos de seus associados uma ajuda no caso de falecimento do arrimo da família. Não tínhamos na época previdência...

Apresentador – Paul, e os tais “favores”? A “ajudinha”, o “jeitinho brasileiro” entre Maçons?

Paul – Gabriel, tem um ditado, clichê em nossa ordem, de que “a Maçonaria é perfeita, seus membros não”. Existe isso em Maçonaria, de “ajudinhas escusas”? Sim, existe. Assim como entre o poder judiciário, entre políticos, entre policiais, entre médicos, entre alfaiates... Como seres humanos, somos falíveis e sujeitos a desvios de comportamento. Não somos “santos”, tampouco pretendemos ser. Mas buscamos, como instituição, nos melhorar a cada dia. Nestes casos, é um dos preceitos da ordem que devemos nos pautar com rigidez pela ética, pela moral, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pelo respeito à autoridade e às leis do país. Existe sim, infelizmente, o bom e o mau Maçom. O grande segredo é saber, cada vez mais, separar um do outro.

Apresentador – Bem, está claro que a Maçonaria se preocupa em aperfeiçoar seus membros. Qual o ganho real da sociedade com isso?

Paul – Gabriel, pensamos em termos filosóficos: Melhorando o homem, melhoramos a sociedade. Para nos manter no campo da alegoria simbólica, melhorando a pedra, aparando suas arestas, corrigindo suas perfeições, estamos melhorando a construção, a obra. A isso nos dedicamos. Não somos clubes de serviço, como os excelentes Rotary ou Lions, não somos uma ONG, como os maravilhosos Médicos sem Fronteiras, tampouco somos uma entidade religiosa. Temos sim, algumas ações filantrópicas individuais ou como Lojas, utilizadas como uma ferramenta de nossa própria construção pessoal. A filantropia não é o fim da Maçonaria, apenas um de seus meios.

Apresentador – Paul, para terminar. Fale-nos do “Plano Maçônico para Dominar o Mundo”, ou a Nova Ordem Mundial.

Paul (olhando sério, fixo para a câmera) – Em verdade, confesso aqui para vocês: Sim, queremos dominar o mundo. Para isso, já nos associamos ao Pink e ao Cérebro para criar uma Nova Ordem Mundial onde tenhamos controle absoluto de tudo e de todos. (Risos). Gabriel, não temos uma sede mundial, um governo mundial, somos milhares de Lojas congregando milhões de pessoas sem nenhum contato estruturado, nos baseamos em antigas tradições e reconhecimentos para manter certa unidade e coerência. Que condições teríamos de “mudar”, ou até mesmo somente “influenciar” o mundo? Certa feita um Irmão, respondendo a esta mesma pergunta, brincou: “Se não temos a capacidade nem de ser unânimes quanto ao que vamos jantar depois da sessão, como teríamos unanimidade de mudar o mundo?????" Temos uma elevadíssima pretensão, um sonho, uma utopia: Fazer deste, um mundo melhor. Como? Aperfeiçoando a base da construção, a pedra simples e bruta que, uma vez preparada, arestas aparadas, polida e rigorosamente anguladas, servirá para, somando-se com milhares de outras pequenas pedras iguais, edificar a magnífica obra de uma sociedade melhor, mais justa, mais humana, mais próxima ao Criador. Este é o nosso plano verdadeiro para dominar o mundo. Muito obrigado.


Autor: Irm.  Hugo Schirmer



Fonte:www.omalhete.blogspot.com


quinta-feira, 14 de março de 2013

14 de Março: Dia da Poesia

 



"SER MAÇOM"

Irm. Gioia Júnior (1931-1966)
 
 
 
“Ser Maçom é querer tudo puro e correto,
É ter limpos os pés e ter limpas as mãos,
É querer habitar entre muitos Irmãos
E louvar o poder do Supremo Arquiteto.

Ser Maçom é ser bom e generoso e reto
E os enfermos buscar para torná-los sãos
E os pobres procurar para dar-lhes o teto,
e os órfãos socorrer – e amparar os anciãos.

Ser Maçom é ser forte e enfrentar a procela,
é amar a existência e fazê-la mais bela,
É buscar a justiça, a igualdade, o direito.

Afinal, ser Maçom é buscar a verdade,
Ser Maçom é lutar em prol da liberdade,
Ser Maçom é querer tudo justo e perfeito!.”
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O "Grande Arquiteto do Universo" é uma Divindade Maçônica?





É conhecido o facto de os maçons se referirem ao Criador como o "Grande Arquiteto Do Universo". Todavia, muitos equiparam essa expressão a outras, próprias de cada culto ou religião, no sentido de considerar o "Grande Arquiteto Do Universo" uma "divindade maçónica", assim como se pode dizer que Krishna é o nome de uma divindade Hindu, Allah o nome da divindade muçulmana, ou YHVH o nome da divindade judaica.

A expressão "falsos deuses" é paradigmática de uma postura de intolerância perante uma fé distinta da de cada um, segundo a qual "se o meu Deus é o verdadeiro, os dos outros só podem ser falsos". A postura da maçonaria a este respeito é a de que a Divindade é única, não obstante cada um Lhe chamar nomes diferentes. Assim, para um maçon não há "falsos deuses", mas antes distintas interpretações do divino; se são falsas ou não, é matéria não de discussão, mas de respeito e tolerância pela diferença e diversidade.

É natural, porém, que quando pensamos em "Allah" evoquemos as características que Lhe são atribuídas pelos seguidores do Islão, e um fiel de uma religião estranhe que se chame ao "seu" Deus uma coisa diferente daquela a que está habituado. No entanto, como fazer se cada um se refere ao Criador de um modo diferente?

Ao adotar a expressão "Grande Arquiteto Do Universo", a maçonaria não pretendeu "criar uma nova divindade", ou substituir o Deus de cada um. Pelo contrário, cada maçon é instado a cumprir com os preceitos da sua fé.

Procurei um paralelismo para explicar o conceito, e creio que o encontrei: o "Grande Arquiteto Do Universo" é um pouco como o "Dia da Mãe". No Dia da Mãe não se comemora alguém que todos reconheçam como "mãe universal"; pelo contrário, cada um comemora, sob a égide do termo universal "Mãe", ninguém menos do que a sua própria mãe - cada um a sua!

O mesmo se passa com o Grande Arquiteto do Universo. Não é um novo Deus; é o mesmo Deus que cada um já conhece, sob um nome que a todos sirva.


Paulo M.




Fonte: Blog Irmão A Partir Pedra.


sábado, 13 de outubro de 2012

Lágrimas Peregrinas



Imagem de Nossa Senhora de Nazaré vestida com o Manto do Círio 2012
Foto: Rivanildo Lima



Tão pequenas
Nessa multidão!
Quase imperceptíveis
Gotículas do coração

Em todo lugar, estão.
No vento de proa à popa
No translado da noite
Ou na grande procissão

A cada passo,
A cada oração
e a  todo hino
caem dos olhos
da face do peregrino

Jorram de uma fonte.
de fluxo extraordinário.
Outubro  parecendo março,
Invertendo o calendário

Transbordando as margens do Guajará.
Esse doce rio
Fica com gosto de mar

O sopro das mangueiras     
não as dissipam
O calor do astro rei
não as evapora

Por onde Nossa Mãe passa,
Lá vêm elas,
Enchendo os olhos
da mais pura graça.

Surgem do amor,
da  esperança
 e da fé
da  devoção em Nazaré.

Saem da alma
Como reverência
A mais pura inocência

Diminuto símbolo de fé
Pequena gota de esperança
Partícula de amor

De um pranto de emoção
No mais belo encontro
Com a Senhora da Redenção

Ah! São Gotas de fé
das Lágrimas de Nazaré
Oh! Gotas divinas
de Lágrimas peregrinas



Autor: EDUARDO BARBOSA, Historiador, Economista e Professor